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O FENTEPP
 
XVIII FENTEPP – Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente
O teatro...em uma palavra: efêmero

Parece-nos legítimo falar da efemeridade do teatro, na medida em que se trata de uma linguagem que não se plasma em suporte fixo, nem se eterniza com imagens fixas e enquadradas. Cada apresentação tem seu próprio ritmo e estabelece certa sinergia com o público. É comum ouvir de um ator que cada dia é um dia diferente e, mesmo, de públicos recorrentes às sessões, com olhares e imagens diversas a cada espetáculo. Poderíamos dizer também que o teatro é ou deve ser algo muito próximo, quase colado, à vida, à vida de nós outros entre nós mesmos e, assim, enfatizaríamos essa efemeridade, já que a vida é tão frágil e pouco sujeita a explicações rígidas e imutáveis.

Contudo, ficamos o tempo todo criando situações de conforto e convenções, conceitos, forjando culturas e obras no sentido de se criar paradigmas, métodos, exemplos e expedientes para que se preserve a vida, sua memória, enfim sua história. Assim, acabamos por formalizar, dar forma, aos conteúdos vividos e experimentados. A obra de arte é, em certa medida, e ao mesmo tempo, a formalização e a des-formalização do vivido.

Portanto, a nosso ver, um festival de teatro deverá sempre transitar entre o já experimentado culturalmente, já formalizado por meio da história da linguagem e o ainda não assimilado completamente, vivências que por sua novidade e diferença não são ainda repertório e, às vezes, causam estranhamento tal que motivam amores e ódios inicialmente inexplicáveis, mas que com a recorrência formal vão se tornando tradições culturais. É claro que esses processos são muito dinâmicos e complexos, nada lineares e evolutivos, mas enredados e interseccionados entre conteúdos e temporalidades diversas.

E o que hoje é culturalmente aceito poderá amanhã ser algo completamente estranho e vice-versa. A vida, então, é o barro de onde podem surgir novos inícios e acontecimentos e o homem será sempre um iniciador de sentidos e destinos. E o teatro uma de suas ferramentas mais profícuas.

A 18ª edição do Fentep, parece-nos, traz uma diversidade formal que dialoga simultaneamente com o tradicional e com o diferente. Estabelece um território carregado de elementos híbridos, de convergências e divergências, de intersecções de linguagens que nos possibilitam deslocamentos de olhar e estranhamentos, mas também que nos revelam regiões mais ou menos conhecidas que fundamentam novas reflexões.

As escolhas e a seleção dos grupos e artistas para um evento desse porte são sempre de uma responsabilidade que nos deixam em um patamar privilegiado e de honra, mas que também nos alertam para a necessidade de aberturas conceituais e redefinições, para uma percepção de que temos que compartilhar experiências e saberes. Oxalá! que a efemeridade desse evento seja uma das medidas e contraponto para sua tradição e continuidade.

Curadoria XVIII Fentep
 
 
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